materialidade e identidade
Tudo cabe por entre páginas de seus cadernos. As linhas repletas de palavras e imagens que se alinham e desalinham seguindo suas pesquisas, pensamentos e sentimentos. Os processos de Rosana Torralba são longos, e desafiadores.
A artista muitas vezes parte de cenas que lhe aparecem na mente como uma lembrança do que ainda não aconteceu. A partir daí começa a experimentar os elementos e as possibilidades reais de executar as suas instalações. Objetos ordinários do cotidiano que se multiplicam e criam narrativas próprias. Passam a integrar um ambiente não convencional ou as salas expositivas como possibilidade de existência única na qual tornam-se viventes do próprio espaço.
A flor da pele à um de nós, 2019 caderno de artista
Traz o nascimento e o renascimento como possibilidade de reflexão e identidade. Como se renascer pudesse alterar quem somos de fato. Será que pode?
2014 - Sobmedida - Movimentos Convergentes 2(MC2)- instalação site specific na Estação Cultura, Campinas/SP
Utiliza-se de objetos, de instalações e do seu próprio corpo para discorrer sobre sua produção. Instalações que contém vestigios de suas ações, outras que apresentam a exaustiva ação do corpo na sua concepção e montagem.
2017 - O Pão nosso de cada dia - Ação no espaço AT|AL|609, Campinas/SP
O corpo presente na maior parte de seus trabalhos não só como objeto de ação mas como a materialidade inerente a sua produção que está presente mesmo quando o trabalho é apresentado em vídeo.
Bendito o fruto da mãe, 2017, livro de artista
Reverencia a ancestralidade em ações de família que se repetem e que, agora, tomam os espaços expositivos fazendo de outros, coadjuvantes dessa história.
cesta de memórias e relíquias
Ação Performática com livros de artistas para a exposição "Frente e Verso", no espaço The Mix Bazar, Campinas / SP - julho de 2016








identidades
2009
Caldo, Impressão, Identidades
chama
2016 Ação no espaço AT|AL|609, Campinas /SP
cartilha do caminho suave
2020
livro de artista
3 painéis de madeira
será mesmo um mundo encantado?
será mesmo um mundo encantado?
2020
bem me quer, mal me quer
bem me quer, mal me quer
2020
bem me quer, mal me quer
roda vida
2020
roda viva
era a gota que faltava
2020
era a gota que faltava
ser e viver
2020
ser e viver
Torralba em sua série 'corpos insuflados' busca uma relação entre o peso e a leveza conforme ela mesma diz. As bolinhas de vidro, ou de plástico que se deslocam de um lugar a outro, flutuam, se acumulam, se dispersam, se fundem à natureza ou mesmo desaparecem, e criam uma outra dinâmica no espaço fazendo-se adentrar a um lugar misterioso, no qual o peso ou a leveza já não importam mais.
Se por um lado a materialidade impera na produção da artista, por outro, mundos imaginários podem ser pensados a partir de seus elementos tão comuns e, ao mesmo tempo, poéticos. A construção de uma vasta pesquisa que ora se transforma em trabalho ora se esconde nos seus múltiplos cadernos.
Valéria Scornaienchi
primavera, 2020.